Escola Cervejeira Belga

Desde que a cerveja surgiu junto com as primeiras civilizações, o seu processo de produção é feito de diferentes formas. Essas maneiras mudam conforme os ingredientes, técnicas e costumes locais de cada região. E é este conjunto de características encontradas nas cervejas de cada região que deu origem as chamadas Escolas Cervejeiras

Assim, hoje falarei um pouco mais sobre os estilos e características da Escola Belga.

História da Escola Belga

Já nos tempos de Júlio César, que expandiu o território romano pela região conhecida então como Gália – onde hoje fica a França e a Bélgica –, os habitantes da região já produziam sua própria versão de cerveja, comparativamente mais potente do que a versão consumida pela população romana.

Cerca de 2000 anos atrás,a produção de cerveja era uma atividade rural e doméstica. Com a queda do Império Romano, a Igreja Católica ascendeu e monastérios surgiram na região. Passando-se os anos, os monges refinaram suas técnicas, o que resultou numa cerveja mais aprimorada.

Ao passo que os monges avançavam com seus conhecimentos, as cidades também cresciam. E isso incentivou o surgimento de várias cervejarias em escala industrial na região. Enquanto algumas seguiam o padrão das cervejas abadia, outras mantiveram as técnicas de fermentação espontânea em tanques abertos. Aos poucos, a produção foi tomando a foma do que hoje chamamos de Escola Belga.

Diversas pessoas chamam a Bélgica de “paraíso cervejeiro”. O que não é para menos, uma vez que apesar de seu pequeno tamanho (pouco maior que o estado de Alagoas) o país conta com quase duzentas cervejarias. A saber, o bar com a maior carta de cervejas do mundo fica na capital de lá, Bruxelas. E nesse bar, todas as cervejas são servidas com taças próprias da cervejaria. Essa é uma das grandes importâncias que os belgas são à sua cerveja, e por isso ela é tão amada em todo o mundo.

Confira a seguir alguns dos principais estilos desta escola.

Os principais estilos da Escola Belga

Cerveja branca

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Seu nome significa “Cerveja Branca” em flamengo, e por muito pouco que não foi extinta. As cervejas de trigo Witbier se popularizou na região de Hoegaarden desde a idade média. Entretanto, durante a Segunda Guerra Mundial, quase todas as produtoras locais desse estilo foram devastadas. Sua última sobrevivente acabou fechando em 1957. Mas, dez anos depois ela foi ressuscitada, graças a um leiteiro chamado Pierre Celis.

Cerveja de coloração amarelo-palha, a Witbier normalmente é turva, com uma boa formação de espuma densa e cremosa. Apresenta alguns aromas cítricos e condimentados devido à adição de raspas de laranja e sementes de coentro. No paladar, seu baixo dulçor e leve acidez chamam atenção.

Alguns rótulos para conhecer: Hoegaarden, Celis White, St. Bernardus Wit

Estilos Trapistas

Não podemos falar sobre  a Escola Belga sem mencionar as cervejas Trapistas. E entre os trapistas a regra é o princípio de Ora el Labora, ou “Orar e Trabalhar”. Também parte da observação da vida autossuficiente dentro dos mosteiros. E para essa vida, não é preciso mais que pão, queijo, chocolate, e é claro: cerveja.

A cervejas trapistas apresentam aroma frutato, alto teor alcoólico, alta carbonatação e paladar seco. Dentro os estilos trapistas encontraos a Belgian Blonde, com aromas remetendo a frutas amarelas como pêssego e damasco; Belgian Dubbel, com aromas remetendo a chocolate e frutas secas como figos e ameixa; a Belgian Tripel, que também traz aromas remetendo a frutas amarelas porém com maior potência alcoólica e maior presença de lúpulos florais; e a Belgian Dark Strong Ale, versão mais potente das trapistas, com alto teor alcoólico e aromas complexos remetendo a tosta, frutas passas e licor.

Alguns rótulos para conhecer: La Trappe Blond, Chimay Rouge, Westmalle Tripel, Rochefort 10, Orval.

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Lambics

As cervejas da família Lambic são aquelas produzidas através de fermentação espontânea. Desse modo, sua produção é mais delicada e feita tradicionalmente entre os dias 29 de setembro (Dia de São Miguel) e 23 de abril (Dia de São Jorge), uma vez que nesse período as temperaturas na Bélgica são mais amenas e assim evita contaminações.

São cervejas efervescentes, com caráter ácido e geralmente seu aroma traz notas aromáticas rústicas que lembram couro e feno. Algumas vezes contam com adição de frutas como cerejas (Kriek), misturam blends de Lambic nova com Lambic envelhecida (Gueuze), ou então tem adição de açúcar (Faro).

Alguns rótulos para conhecer: Lindemans Kriek, Boon Mariage Parfait

 

Flandres Red Ale e Old Brown

As Flanders Red Ale e Oud Bruin são tradicionais da região de Flandres. Durante a produção, uma parte delas passa por extenso envelhecimento, podendo chegar até a 18 meses, em grandes dornas de carvalho. Isso contribui com um caráter acético à bebida, lembrando um vinagre balsâmico, devido a ação de bactérias. Esta cerveja envelhecida é então misturada com uma cerveja “nova”, o que equilibra o aroma e gosto do conjunto.

Alguns rótulos para conhecer: Rodenbach ClassicDuchesse de Bourgogne, Bacchus Vlaams Oud Bruin

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Saison

As Saison representam a Valônia, metade “francesa” da Bélgica.  Seu nome é francês e traduzido significa estações. Trata-se de uma cerveja produzida no fim das estações mais frias. O intuito é que ela seja apreciada pelos camponeses nos dias mais quentes. Em geral, sua cor vai do dourado ao âmbar, com uma grande formação de espuma e apresentando aromas complexos com notas cítricas, condimentadas e terrosas. Por possuir baixo corpo e alta carbonatação, as Saison são cervejas muito refrescantes. No entanto seu teor alcoólico é variável, indo de 3,5% à mais de 8%. Recentemente, uma febre de Saison por todo o mundo, tornou esse estilo muito apreciado pelas cervejarias brasileira, principalmente por sua versatilidade permitir a inclusão de frutas regionais, resultando misturas bastante interessantes.

Alguns rótulos para conhecer: Saison Dupont, Fantôme Saison

FONTE: www.mestre-cervejeiro.com