Escola Cervejeira Britânica

Como dito anteriormente, a ligação país produtor de cerveja e Alemanha é instantânea. Mas quando o assunto é sobre o estilo ALE, a ligação ocorre com a escola britânica. Na Inglaterra, como os pubs são o principal local de encontro, a cerveja tem uma posição de realce na cultura. Nesse artigo entenda um pouco mais sobre a Escola Cervejeira Britânica, suas características gerais e principais estilos.

História da Escola Britânica

Desde a Idade do Ferro as ilhas britânicas eram povoadas por tribos celtas que cruzaram o canal da mancha, entre 1500 e 500 a.C. Tudo indica que estas tribos já produziam cerveja, já que o general romano Júlio César, em 55 a.C., encontrou povos que consumiam uma bebida alcoólica fermentada, feita a partir de grãos. Ou seja, a cerveja. 

Mesmo durante o Império Romano, que consideravam a cerveja inferior ao vinho, a bebida se manteve presente no dia a dia dos habitantes das ilhas britânicas. Contudo,  foi com o fim da dominação romana no século V e a ocupação das ilhas pelas tribos anglo-saxãs, que o hidromel e a cerveja (ALE) se tornaram as bebidas mais consumidas.

Em seguida, o início da Idade Média marcou algumas transformações na história da cerveja europeia. Como a expansão do Cristianismo e o crescimento das cidades. E no seu decorrer, produtores domésticos e monges, utilizavam diversos aditivos, como ervas e raízes em suas cervejas. Eles nomeavam esses aditivos como “gruit”. Todavia, no século XV, o gruit foi abandonado e foi adicionado lúpulo na produção da bebida nas ilhas britânicas.

Como a importação do lúpulo era limitada, a Irlanda foi uma das ultimas regiões a adota-lo. Assim, adquiriu relevância no cenário cervejeiro mundial somente a partir do século XVII. Isto aconteceu quando Arthur Guinness fundou a famosa cervejaria que leva seu nome, em Dublin.

Assim, com a Revolução Industrial, no século XVIII, grandes avanços tecnológicos tomaram conta da produção. Afinal, estes auxiliaram no desenvolvimento de novas técnicas de produção e beneficiamento de insumos. Todavia, mesmo com os avanços tecnológicos, os britânicos nunca abandonaram suas tradições. Fundada em 1971 a Campaign for Real Ale – CAMRA tem como objetivo a preservação das Real Ales e dos Pubs, ameaçados pelas agressivas práticas comerciais dos grandes grupos cervejeiros. Mesmo ameaçada a escola britânica continua viva. Existem cerca de 50 mil pubs no Reino Unido.

Os principais estilos da Escola Britânica

English Pale Ale e Bitter

Podemos começar a lista com a Ordinary Bitter. É uma cerveja de cor âmbar claro, que apresenta delicados aromas maltados que remetem a biscoito com notas florais e herbais dos lúpulos ingleses. Na boca, baixo dulçor, baixo amargor e baixo corpo.

Logo após, temos a Beste Bitter, que apresenta coloração âmbar e aromas de média intensidade. Na boca apresenta médio dulçor, amargor e corpo. O estilo mais intenso delas é a Strong Bitter. Essa cerveja apresenta coloração âmbar a cobre, aroma com notas de caramelo e toffee dos maltes e completados pelo aroma presente dos lúpulos. Na boca o dulçor e o amargor são mais marcados, e com um corpo cheio.

Alguns adesivos para conhecer:  Fuller Chiswick Bitter (Amargo Comum), Fuller London Pride (Melhor Amargo), Shepherd Neame Spitfire (Forte Amargo).

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Inglês India Pale Ale 

As tradicionais India Pale Ale inglesas tem coloração âmbar. Apresentam um intenso aroma do lúpulo com notas florais, herbais e terrosas. Outra composição do aroma são as notas maltadas, que lembram biscoito e caramelo. Desse modo, na boca os sabores maltados e o amargor são destaques.

Em resumo, são cervejas saborosas, de corpo médio e paladar seco.

Alguns rótulos para conhecer: Meantime India Pale Ale, Samuel Smith’s India Ale, Shepherd Neame India Pale Ale.

Porter e Stout

As Porters de modo geral são cervejas de coloração marrom escura, aromas e sabores maltados que rementem ao toffee, chocolate e torrefação.

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O lúpulo, porém, não é destaque no aroma, mas é presente na boca com médio amargor, que se equilibra com o dulçor dos maltes.

Já as cervejas Stouts, são diferentes das Porters. Seu perfil é mais intenso e torrado. Entre as principais estão as Oatmeal Stouts, produzidas com aveia; as Sweet Stouts, produzidas com aditivos como açúcar, lactose e/ou chocolate; e as Russian Imperial Stouts, mais intensas em corpo, amargor e teor alcoólico.

Entretanto, outra Stout que não podemos deixar passar despercebida é  a Guinness. Ela pertence ao estilo irlandês Dry Stout, ou Irish Stout, que possui perfil intenso de torrefação, paladar seco e corpo baixo.

Para mais informações:  Fuller London Porter, Samuel Smith’s Oatmeal Stout, Young’s Double Chocolate Stout (Sweet Stout), Guinness (Dry Stout), Coragem Imperial Russa Stout (Imperial Stout).

Scotch Ales

Igualmente às Bitters, existem subdivisões dentro das Scotch Ales, que seguem a sequencia de intensidade. Sua maioria possui uma coloração âmbar a cobre e perfil maltado. Seu aroma vai desde o biscoito à  turva, e passa pelo caramelo, toffee e pode até apresentar notas defumadas. O estilo mais encontrado no Brasil é a Strong Scotch Ale, uma cerveja mais intensa que a original. Seu dulçor é mais elevado, médio amargos e leve calor por conta da potência alcoólica.

Alguns rótulos para conhecer: Founders Dirty Bastard, Bodebrown Wee Heavy.

Strong Ales

As Old Ales são cervejas que vão do âmbar ao cobre profundo, com perfil maltado e complexo remetendo a caramelo, melado, castanhas e toffee. Mesmo que tradicionalmente sejam envelhecidas em barris, elas não adquirem características sensoriais da madeira. No entanto, possui um leve caráter e oxidação que lembram o xerez ou vinho do porto. Em suma, são cervejas intensas, encorpadas, de baixa carbonatação e com um paladar que puxa para o adocicado e alcoólicas.

Outro estilo são as Barley Wines inglesas. Essas apresentam uma coloração que vai do âmbar claro ao cobre. Seu aroma é intenso e combina com todos os ingredientes: caramelo, castanhas e tofee dos maltes, herbal, floral e terroso dos lúpulos, notas frutadas da levedura de tal forma que muitas vezes remete a frutas cristalizadas. O calor do álcool é sentido após o gole e permanece junto ao seu amargor.

Alguns rótulos para conhecer:  Fuller’s Vintage Ale (Old Ale), Box Steam Dark e Handsome (Old Ale), Fuller’s Golden Pride (Vinho da Cevada), Pagan Dragon’s Blood (Vinho da Cevada).

FONTE: www.mestre-cervejeiro.com